Segundo aponta o Barómetro Imovirtual, o valor médio dos imóveis para arrendar estabilizou de janeiro para fevereiro.
Os poucos T1 que existem chegam aos 350 a 400 euros. A subida de preços se deve à pouca oferta e essa pouca oferta fica a dever-se ao facto de a cidade não ter acompanhado o "crescimento" do Instituto Politécnico de Bragança (IPB).
O IPB tem, de facto, vindo a crescer. O número de jovens a virem estudar para a cidade aumentou nos últimos anos. As casas começam a ser poucas para receber tantos alunos e quando assim é põe-se em prática a lei da oferta e da procura: poucas casas, rendas altas.
O aumento nem foi ao longo do tempo, mas no espaço de dois anos não há muita oferta, e o preço da caução também aumentou substancialmente.
A procura elevada por casa deve-se ao crescimento politécnico de Bragança, esta é a convicção de Telmo Garcia, proprietário da Imobiliária Imoencontre. O problema é que a oferta não satisfaz a procura.
Segundo o empresário, as casas que estão livres são arrendadas aos estudantes, porque os proprietários já "ultrapassaram" o receio que tinham de disponibilizar a casa a jovens, devido aos preços serem "demasiado aliciantes".
Se uma família quiser arrendar uma casa, não há oferta, até porque a renda de uma casa a uma família não consegue superar aquilo que os senhorios ganham se arrendarem ao quarto. "Uma pessoa que tenha um T3 com uma sala, e já conheci casos em que, a sala, se tiver uma área considerável, ainda a dividem e fazem dois quartos, portanto, estamos a falar de cinco camas, na ordem dos 150 a 180 euros por cama, veja-se o preço para que vai um T3. É normal que esses proprietários, face a essa rentabilidade, jamais vão direcionar esse apartamento para uma família", disse.
E além de se sujeitarem a viver numa casa sem condições, também aceitam rendas elevadas, porque é a única alternativa. "No início do ano, os pais entram aqui com os filhos e estão desesperados, não podem perder mais um dia e querem deixar os filhos alojados e sujeitam-se aquilo que lhe pedem e se tiverem possibilidades, numa primeira fazer vão pagar 200, 250 euros por um quarto", contou.
Quanto a preços, diz que, por haver "muita procura", sendo que a construção não tem sido assim tanta, "a tendência é para aumentar", pelo menos por agora. Afirmando que, para as imobiliárias e proprietários, "quanto mais altos melhor", assume, ainda assim, que "são insustentáveis para a cidade". "Não se justifica praticarem estes preços, tanto a nível de venda como de arrendamento. Chegou-se a um ponto de loucura total", esclareceu, vincando que nunca viu o mercado como hoje e que os proprietários continuam a pedir para que aumentem ainda mais as rendas.
Neste momento, com o mercado como está, há pessoas em cenários pouco normais. "Há muita gente a sujeitar-se a preços que lhe custa pagar. Há também muita gente a viver em casas sem condições e há também quem se sujeite a viver em casas sem contrato de arrendamento, o que acho errado", assinalou.
Na imobiliária tanto se trabalha com jovens estudantes como com trabalhadores, mas não há arrendamento de quartos. Arrendam o imóvel por inteiro. Um dos grandes problemas que se tem colocado, nos últimos tempos, quanto a estudantes, é que "há muitos estrangeiros" e "esses estudantes não dão garantias de nada". "Se deixarem de pagar não temos como ir atrás deles e, muitas vezes deixam dívidas, no que toca a contas, bem como os apartamentos sujos. Até já estamos a tentar falar com o IPB, para ver se há alguma solução", terminou.