A violência obstétrica existe e há práticas que já não deviam ser feitas: esta foi uma das afirmações proferidas no manifesto que aconteceu ontem em todo o país e em Bragança não foi exceção.
O objetivo foi alertar para direitos na gravidez, no parto e no pós-parto. De acordo com Elza Vaz, representante no distrito do Observatório de Violência Obstétrica, há práticas que ainda são feitas na maternidade de Bragança e que são desaconselhadas.
A manifestação foi organizada pelo Observatório de Violência Obstétrica (OVO), tendo exibido cartazes com palavras de ordem como "O Parto é Meu", "O Útero, eu Decido!" e "Dona do Meu Parto", e ao protesto juntou-se a SEMANE - Saúde da Mulher Negra, que deu exemplo de casos de racismo, nos cuidados médicos.
Uma das organizadoras, Lígia Morais, da OVO, em declarações à agência Lusa, reconheceu que "são baixas as queixas oficiais" por violência obstétrica, e referiu que, "aos poucos, a sociedade está a perceber o que é realmente a violência obstétrica", pois "nem todas as mulheres conseguem identificar que tiveram violência obstétrica no seu parto ou nas consultas de obstetrícia ou até em tratamentos de fertilidade ou na interrupção voluntária da gravidez", o que justifica também a baixa adesão ao protesto de hoje.
"Nós sabemos que nem toda a gente tem coragem de se apresentar e dizer que foi vítima", disse Lígia Morais adiantando que o observatório tem estado a divulgar informação de como se pode efetuar queixa de violência obstétrica.
“Há hospitais que não estão preparados para uma mulher chegar lá e ter o plano de parto, ou seja, o que querem no parto. É um paradigma que tem que ser mudado e temos que informar as mulheres que têm essa possibilidade, é um direito”, acrescentou Elza Vaz.
Marlene Pereira esteve no protesto e foi uma das mulheres que diz ter sofrido de violência obstétrica. Teve o primeiro filho em Bragança há seis anos e não pôde ter o companheiro perto de si. Queixa-se de não ter sido informada dos procedimentos tomados.
Os protestos aconteceram por todo o país e foram organizados pelo Observatório de Violência Obstétrica em Portugal.